Mídia em debate: pelo direito humano à comunicação


 

BAHIA DÁ EXEMPLO COM A CONFERÊNCIA ESTADUAL

 

Enquanto o governo federal reluta para convocar a Conferência Nacional de Comunicação, o Governo da Bahia, de forma pioneira, realizou a I Conferência de Comunicação Social, no dias 14, 15 e 16 de agosto, em Salvador. Construído com o apoio de importantes entidades da sociedade civil – como a Cipó e o Intervozes – o evento cumpriu seu propósito: colocar a comunicação na pauta do dia da sociedade. Prova disso foi a mobilização de mais de 2 mil pessoas nas 8 etapas regionais que aconteceram entre junho e agosto.

 

O assessor de comunicação do Estado da Bahia, Robinson Almeida, coordenou a organização da conferência. Para Almeida, “a democracia brasileira não será completa se fizermos a democratização da comunicação. Discutir comunicação é uma necessidade. É uma pauta obrigatória para a consolidação da democracia brasileira”.

 

“É possível transformar a vida das pessoas, transformar a política, na medida em que a gente se apropria das câmeras, dos microfones, dos satélites, das antenas de TV”, afirmou Gislene Moreira, representante do grupo de trabalho (GT) que organizou o evento, na mesa de abertura da Conferência.

 

Carlos Tibúrcio, assessor especial da Presidência da República, representou o governo federal no evento. Para Tibúrcio, a desejada conferência nacional será resultado de “um acúmulo de forças, que vem se dando de maneira progressiva, de maneira significativa no país”. Sem meias palavras, ele completou: “Nós temos no Brasil uma anomalia. Os meios de comunicação debatem tudo, menos a realidade deles próprios. É como se a comunicação não pudesse ser debatida”.

 

A deputada federal Luiza Erundina também participou da Conferência. Integrante da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, ela afirmou que “a sociedade precisa dizer que tipo de comunicação ela quer no Brasil. Concessões e outorgas são um patrimônio público e, como tal, têm que estar sob o comando da sociedade civil organizada”.

 

A mobilização e a participação intensa de todos chamava a atenção. “O ambiente da conferência mais parecia um minifórum social mundial”, comentou empolgado o jornalista Paulo Miranda, da TV Comunitária de Brasília, um dos observadores no evento.

 

Cerca de 300 delegados e 100 observadores passaram os três dias do evento envolvidos em calorosos debates sobre a comunicação no Brasil. Estudantes, professores e profissionais de comunicação, da Bahia e de pelo menos mais 6 estados, sociedade civil e governo trabalharam lado a lado para elaborar um documento final da Conferência, reafirmando a urgência de um debate nacional sobre comunicação. 

 

Para quem participou da Conferência ficou claro que a sociedade quer e tem condição de debater políticas públicas, controle social da mídia, concessões e democratização da comunicação. Não podemos continuar vivendo sob a ditadura da mídia comercial. Essa situação, além de ser inconstitucional, atrasa o desenvolvimento do Brasil e impede a sociedade brasileira de exercer o direito humano à comunicação.



Escrito por João Freire às 11h41
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