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TRENS SÃO MAIS IMPORTANTES QUE PESSOAS?

Nessa quinta (22), um prédio abandonado foi atingido por um incêndio na região dos Campos Elíseos, Centro de São Paulo. Além da construção, a favela do Moinho, vizinha ao prédio, também foi atingida pelo fogo. De acordo com o Censo 2010, a favela possuía cerca de 530 barracos, onde viviam 1.656 pessoas. A Defesa Civil estima que 50% da favela foi destruída.

Chama a atenção a matéria da Folha sobre esse fato. A chamada na capa do site, informa: “Incêndio atinge favela e interrompe duas linhas da CPTM”. Além de falar sobre o aparato dos bombeiros envolvido no combate ao fogo, a matéria fala da paralisação das linhas férreas e apenas menciona o problema dos moradores da favela: “Algumas pessoas tiveram intoxicação por conta da fumaça e estão sendo atendidas no local”. A dimensão do problema social e as medidas emergenciais para atender os que perderam tudo não são sequer mencionadas na matéria que não é assinada por nenhum repórter.

No G1, a cobertura foi bem mais ampla com sete matérias. Uma delas foi assinada por Renato Jakitas e Luciana Bonadio e aborda o drama das vítimas, de forma tradicional: expõe burocraticamente – com o apoio de fotos – a situação de 3 moradores da favela que perderam tudo.

Na Folha, o incêndio não foi manchete nem na editoria Cotidiano. No G1, a visita dos ministros Mária do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos), Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) ao local teve destaque.

Segundo o G1, Gilberto Carvalho afirmou que foi ao local a pedido da presidente Dilma Rousseff. "Estávamos na reunião com os catadores no instante em que a presidenta soube do incidente e pediu para que viéssemos prestar nossa solidariedade. O governo federal se colocou à disposição de forma direta com o prefeito Kassab para o que for necessário para ajudar as pessoas."

O drama das cerca de 600 famílias atingidas e a mobilização de 3 ministros demonstra a relevância situação. Lamentável que para a Folha apenas a paralisação dos trens seja importante.



Escrito por João Freire às 18h56
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VÍTIMAS DA GUERRA CONTRA O TERROR SÃO IGNORADAS

Desde o início de agosto, a mídia comercial veicula coberturas especiais pelos 10 anos dos atentados contra o World Trade Center, em 11/09/2001. As matérias sobre os atentados, sempre destacam os heróis e mártires americanos e os impiedosos terroristas muçulmanos.

Não vi nenhuma matéria séria que mencionasse a teoria – bastante plausível, aliás – de que o governo americano sabia da conspiração terrorista e deixou que os ataques fossem realizados. Bush não teria impedido os ataques porque eles serviriam – e serviram – de justificativa para a invasão do Afeganistão e do Iraque.

A Casa Branca admitiu que o presidente George W. Bush recebeu informações da Agência Central de Inteligência (CIA), em agosto (de 2001), sobre planos de ações terroristas envolvendo seqüestros de aviões”, publicou o Estadão em 2002.

No entanto, o G1 publicou (em 07/09) uma matéria desqualificando as teorias que duvidam da versão oficial: “Tudo foi uma grande encenação para enganar o povo americano, defende James Fetzer. Fundador do grupo Scholars For 9/11 Truth, ele tem certeza de que os vídeos e fotos que mostram aviões penetrando as torres gêmeas do World Trade Center em 11 de setembro de 2001 são forjadas”.

Se bem sucedida, a invasão do Iraque colocaria o controle mundial do petróleo nas mãos dos americanos e aumentaria a interferência dos EUA sobre o Oriente Médio. Vizinho a Israel, o Iraque – sob comando americano – seria a plataforma perfeita para os americanos semearem a discórdia na região. É sempre bom lembrar que a indústria bélica – aliada da administração Bush – cresceu 49% - após 2001 – e faturou 1,5 trilhão de dólares em 2009, em todo o mundo. Valor próximo do PIB da Espanha, a nona maior economia do mundo.

No entanto, a empreitada militar foi um desastre: a chamada “Guerra contra o Terror” não derrotou a Al Qaeda, consumiu incalculáveis 4 trilhões de dólares e marcou o início do declínio do império americano, atualmente falido.

As muitas matérias (nas TVs e sites de notícias) também não fazem referência aos mais de 100 mil civis mortos no Iraque (de 2003 até 2009), segundo documentos secretos dos EUA divulgados pelo site Wikileaks, além de não mencionar a destruição inútil de praticamente toda infra-estrutura do país, jogando os iraquianos de volta ao século XIX.

Na mídia brasileira predomina a visão americana sobre o mundo, uma manifestação clara do imperialismo cultural que domina as redações nacionais. Para a mídia, a “Guerra contra o Terror” foi uma resposta justa aos ataques e muçulmanos em geral são terroristas potenciais: melhor que estejam mortos.

Uma exceção, é a matéria honesta do JN (de 08/09), “Muçulmanos que vivem nos EUA sofrem preconceitos após ataques do 11/09”, da repórter Elaine Bast. Um “levantamento, com americanos de todas as crenças, feito pelo mesmo instituto [Gallup] em 2009, mostrou que quatro em cada 10 pessoas nos Estados Unidos admitem ter pelo menos um pouco de preconceito contra muçulmanos. O dobro, quando comparado a outras religiões”. Vale assistir:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/09/muculmanos-que-vivem-nos-eua-sofrem-preconceitos-apos-ataques-do-1109.html

A “Guerra contra o Terror” teria sido muito bem sucedida se o presidente Bush tivesse gasto os mesmos 4 trilhões de dólares em projetos para o desenvolvimento e para a promoção da paz no Oriente Médio. E ainda sobraria dinheiro para o combate à fome na África.

Essas medidas seriam úteis – inclusive – para estimular a economia americana e diminuir o desemprego nos EUA. Só não serviriam aos interesses da Halliburton e de outras grandes corporações americanas, que faturam bilhões de dólares por ano, prestando serviços para o governo americano. Para esse seleto grupo: quanto mais guerras pelo mundo, melhor.



Escrito por João Freire às 16h32
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GLOBO AFIRMA QUE VAI VOLTAR A FAZER JORNALISMO

Após a I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, a grande mídia comercial começou a falar em auto-regulamentação. Muito mais por medo da criação de um mecanismo de controle da sociedade, do que pela real intenção de estabelecer limites e evitar os excessos – e até crimes – cometidos em nome da liberdade de imprensa.

Ontem (6/8), as Organizações Globo lançaram um documento chamado “PRINCÍPIOS EDITORIAIS DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO” para orientar a atividade jornalística nos veículos do grupo. O documento é bem objetivo, voltado para as questões práticas das redações e destaca 3 pontos: “isenção, correção e agilidade”. Pode parecer uma grande novidade mas, na verdade, as Organizações Globo estão dizendo que vão seguir regras básicas e antigas do jornalismo, esquecidas a muito nas grandes redações.

Um ponto do capítulo sobre isenção, me chama mais a atenção: “os diversos ângulos que cercam os acontecimentos que ela busca retratar ou analisar devem ser abordados. O contraditório deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto têm direito à sua versão sobre os fatos”(...). Nunca antes na história das Organizações Globo isso foi feito. Aliás, a regra era justamente o contrário: nas matérias, só entravam falas em sintonia com o pensamento da direção da empresa.

A credibilidade da grande mídia comercial – patrimônio essencial para veículos de comunicação – anda abalada. Os internautas aprenderam a usar o ciberespaço para combater os abusos dos coronéis midiáticos, como os cometidos no período eleitoral de 2010. Na ocasião, muitos veículos agiram como partidos políticos – com o aval da ANJ (ver texto de 29/04/2010) – e atuaram em favor da campanha de José Serra ao Planalto. Agiram contra a democracia, deixaram de fazer jornalismo e, como consequência, grandes veículos como a Folha de São Paulo e da TV Globo perderam credibilidade.

Para viver, a grande mídia depende dos anúncios que veicula. E para atrair anunciantes, depende de audiência que por sua vez é sustentada pela credibilidade. No momento em que os veículos impressos encolhem e as TVs abertas perdem gradativamente seu público, por uma questão de sobrevivência as grandes corporações de mídia precisam se mexer. É isso que está fazendo a Globo: correndo atrás do prejuízo causado pela perda de credibilidade e, consequentemente de público.

A auto-regulamentação é bem vinda, mas como não há garantia de que as regras serão seguidas, não substitui a regulamentação feita pelo Estado e o controle social. Afinal, qual será a punição para os crimes cometidos através da mídia, se continuarmos com o vácuo legal vigente?



Escrito por João Freire às 14h22
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A MÍDIA É A ELITE

No Brasil, a desigualdade é enorme. E na mídia, o grande abismo entre ricos e pobres fica também muito evidente. Quando o ciclista Lindomar Pereira de Souza foi atropelado e morreu (em março de 2010) a notícia teve apenas 8 linhas: texto informativo, burocrático, sem qualquer emoção. Lindomar era morador da Estrutural (em Brasília), onde vivem em situação precária mais de 40 mil pessoas. Distante apenas 15 km do Palácio do Planalto, é a área mais carente do Distrito Federal, onde falta tudo: infra-estrutura, segurança pública, moradias decentes e transporte.

Já a morte do executivo Antonio Bertolucci – de São Paulo, em 13/06 – em circunstâncias semelhantes, gerou grande mobilização da mídia. Além da notícia (longa e detalhada) sobre o acidente fatal, as redes de TVs cobriram o protesto de ciclistas e o funeral do executivo.

Consternado, o repórter da Globo News chegou a afirmar que o executivo “poderia ir para o trabalho de carro blindado, mas preferia a bicicleta”. Segundo o mesmo repórter, Antonio queria colaborar para melhorar SP.

Não sabemos a profissão do outro ciclista morto, Lindomar. A matéria não informou. Assim como a precariedade criminosa do transporte público em Brasília também não foi mencionada. Diferentemente do executivo, o ciclista da Estrutural não tinha a opção de ir de carro e, talvez, nem de ônibus.

Como disse o professor Edgard Rebouças, “a mídia não representa a elite; ela é a elite”. Por isso, trata a morte de um trabalhador humilde como um fato corriqueiro e sem qualquer importância.



Escrito por João Freire às 17h21
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 MÍDIA IGNORA O BRASIL SEM MISÉRIA

Pergunto aos jornalistas: qual das manchetes abaixo tem maior importância sob o ponto de vista jornalístico?

USP aprova pacote de mudanças no vestibular da Fuvest”.

Dilma lança programa que pretende erradicar miséria no Brasil”.

Naturalmente, o lançamento do programa que pretende erradicar a miséria no Brasil é mais importante. Especialmente, se levarmos em conta critérios de noticiabilidade (Van Dijk, 1990): novidade, atualidade e relevância. Ou seja, a escolha de uma manchete não deveria ser apenas uma questão de opinião. No entanto, para o G1, a principal manchete de hoje (2/6) é o vestibular da USP.

A Folha.com seguiu a mesma lógica e coloca como manchete principal: “PMDB mostra Lula e esconde Dilma na TV”. O Brasil sem Miséria nem ao menos aparece na capa do site.

O site do Estadão destaca como manchete: “Netinho é acusado por quebra de decoro e pode ser cassado”.

Nesses casos, prevaleceu a “ação pessoal”. A decisão dos controladores da mídia de deixar em segundo plano aquela que seria a principal manchete do dia por se tratar de uma ação do governo federal. Não digo que todas as ações do governo sejam boas ou que não possam ser criticadas. Mas, não é isso que a mídia tem feito.

É papel da mídia fiscalizar os poderes e as instituições, mas isso tem que ser feito de forma honesta e transparente. A mídia tradicional age como um partido de oposição: desqualifica, ignora e menospreza as ações do governo, sem critérios objetivos de avaliação, agindo em função de objetivos políticos e comerciais.



Escrito por João Freire às 16h04
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COMBATER A HOMOFOBIA TAMBÉM É FUNÇÃO DO MEC

 

A homofobia – ódio contra homossexuais – é um problema sério em nossa sociedade. Todo ano, milhares de pessoas sofrem agressões verbais, físicas e até são assassinadas pelo simples fato de serem homossexuais. Nas escolas, a homofobia provoca casos de depressão e leva à evasão escolar. Em muitos casos, além dos estudantes, professores e até diretores participam da perseguição aos homossexuais.

 

O Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) define como atribuição do MEC e da SDH incluir a “temática de educação e cultura em Direitos Humanos, promovendo o reconhecimento e o respeito das diversidades de gênero, orientação sexual, identidade de gênero, geracional, étnico-racial, religiosa, com educação igualitária, não discriminatória e democrática”. Está lá, no capítulo “A educação e a cultura em Direitos Humanos”.

http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

 

Portanto, quando o MEC – em parceria com ONGs – elaborou o material – chamado pejorativamente de kit gay – do Projeto Escola Sem Homofobia cumpriu uma de suas obrigações relativas à promoção dos direitos humanos, atendendo também ao “Programa Brasil sem Homofobia”.

http://www.aids.gov.br/publicacao/brasil-sem-homofobia

 

O material “visa a combater a violência contra homossexuais nas escolas públicas do país. Os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber essas pessoas e apoiá-las no seu desenvolvimento”, explicou o ministro da educação, Fernando Haddad.

 

Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), esses materiais “estão adequados às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destinam, com linguagem contemporânea e de acordo com a problemática enfrentada na escola na atualidade”.

 

O programa Domingo Espetacular da TV Record fez uma matéria sobre esse material, no programa de 22/05. No centro de SP, a repórter exibiu os vídeos do projeto para populares que, indignados, afirmaram não concordar com a distribuição do material nas escolas.

 

O preconceito ficou explícito na matéria, inclusive na edição da entrevista de um representante da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). O único trecho usado foi a crítica ao ministro Haddad, dando a impressão de que a entidade é contrária ao uso desse material. Aliás, a reportagem não ouviu o MEC, o que é obrigação jornalística sempre que um entrevistado critica uma outra pessoa ou instituição.

 

Os críticos do Escola Sem Homofobia – principalmente, evangélicos e deputados homofóbicos – afirmam que o material estimula a homossexualidade entre os jovens. O CFP discorda e destaca que o “material não induz o corpo discente e mesmo docente à prática da homossexualidade. Pelo contrário, possibilita que professores e alunos trabalhem o tema diferenciando o que é da ordem da heterossexualidade e da homossexualidade”.

 

A TV Record - que pertence à Igeja Universal - prestou um desserviço à sociedade com essa matéria. O assunto – homofobia – pode e deve ser debatido, inclusive na mídia. Mas, atacar a iniciativa do governo, sem argumentos plausíveis sob o pretexto de evitar a difusão de uma cultura gay é inaceitável. Uma concessão pública não pode ser usada para isso.



Escrito por João Freire às 11h15
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 NOTÍCIAS HONESTAS SÃO RARIDADE

Ler uma notícia honesta na grande mídia é um motivo de satisfação para mim. Isso porque sou otimista e acredito que um dia a mídia vai cumprir seu papel social, defendendo o direito humano à comunicação e os interesses da sociedade. Apesar de não haver indícios de movimento nesse sentido.

Na semana passada (3/5), tive um desses momentos de satisfação ao ler a matéria “Índice de pobreza no Brasil cai 50% em oito anos”, no Estadão. “A pobreza no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da presidência da República. O dado consta da pesquisa divulgada nesta terça-feira, 3, pelo professor do Centro de Politica Social da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri” (...) “Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real”.

Parece absurdo comemorar a publicação de uma matéria honesta – que segue as regras básicas do jornalismo – mas, a cobertura do mesmo assunto feita pela Folha e O Globo não foram honestas. Sobre um tema tão relevante, os dois jornais publicaram matérias curtas (e sem destaque) para não atribuir sucesso ao governo Lula. As Organizações Globo e a Folha de São Paulo precisam deixar de agir como panfletos a serviço dos tucanos e fazer jornalismo de verdade. Chega de vender opinião travestida de informação. Parabéns ao Estadão.



Escrito por João Freire às 17h07
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JN ELOGIA GOVERNO DILMA

No dia 14 de abril, o IPEA apresentou um estudo sobre as obras nos aeroportos brasileiros. Segundo o instituto, as obras não ficarão prontas antes da Copa de 2014. Desde então, o Jornal Nacional retomou a defesa da privatização dos aeroportos com matérias quase diárias sobre os problemas do setor.

Ontem, quando a presidenta Dilma anunciou que as obras de ampliação de alguns aeroportos – Brasília, Guarulhos e Galeão, entre outros – serão realizadas através de concessões para a iniciativa privada, o Jornal Nacional elogiou a atuação da equipe econômica do governo: “controlar gastos é fundamental para evitar a inflação. E combate à alta dos preços foi o principal tema do primeiro encontro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo da presidente Dilma Rousseff. (...) Em três horas de reunião, o recado foi dado e repetido várias vezes: “Devemos usar todas as armas possíveis contra a inflação”, declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega”.

Alguém aí acredita em coincidências?



Escrito por João Freire às 18h54
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MÍDIA REFORÇA PRECONCEITO CONTRA VULNERÁVEIS

A mídia defende os interesses e reproduz o preconceito da classe dominante brasileira. Isso fica evidente nas matérias que envolvem pessoas de segmentos marginalizados e/ou vulneráveis da sociedade, como pobres, prostitutas, gays, etc.

No Fantástico de 17/4, foi veiculada uma matéria sobre o assassinato de uma travesti, em Campina Grande (PB), no dia 15. O programa exibiu as imagens do crime, cometido de forma fria e cruel por dois jovens. A matéria burocrática e impessoal não contextualizou o assunto, não ouviu autoridades ou familiares da vítima e só foi feita (provavelmente) para explorar as imagens chocantes.

A maioria das matérias veiculadas sobre esse homicídio – aparentemente um crime de ódio – seguiu a mesma linha: “Um travesti foi morto na madrugada da última sexta-feira (15) após ser esfaqueado por dois rapazes em Campina Grande (PB). (...) Um menor de 17 anos confessou ontem a responsabilidade pelo crime, que teria sido cometido por vingança”.

Em outros situações semelhantes, quando a vítima não é uma travesti ou prostituta, a mídia (indignada) dedica bastante espaço à cobertura, questionando autoridades e explorando entrevistas com pessoas próximas às vítimas e ouvindo especialistas, como no exemplo abaixo (do G1): ”Exame do Instituto Médico-Legal de Guaratinguetá (...) aponta que as irmãs Josely Oliveira, de 16 anos, e Juliana Oliveira, de 15, foram baleadas (...) Josely estava no segundo ano do segundo grau e Juliana no primeiro. Os pais são casados há 19 anos e a família tira a renda da produção rural. "A Juliana sonha ser modelo. A Josely eu não sei. Ela gosta de falar que queria ser feliz", afirmou a irmã mais velha delas, Betânia, na sexta-feira”.

Outro exemplo do preconceito da mídia (do Diário de Pernambuco): “É estável o estado de saúde da adolescente de 14 anos estuprada e queimada, internada na Unidade de Terapia de Queimados do Hospital da Restauração (HR). Ela sofreu politraumatismo, queimaduras de terceiro grau e inalou fumaça. (...) De acordo com as investigações, a vítima estava na Praça do Rosário, em Caruaru, na madrugada de ontem, quando foi convidada por um desconhecido para fazer um programa. Levada ao Sítio Xicuru, zona rural da cidade, ela foi estuprada violentamente, espancada e queimada com gasolina”.

O tratamento midiático é bem diferenciado, dependendo da condição social da vítima. A matéria sobre as irmãs de Cunha (SP) tem 38 linhas e recebeu 53 comentários. Sobre o crime de Caruaru, apenas 9 linhas e nenhum comentário. No segundo caso, o texto é um relato frio da violência brutal sofrida pela jovem de apenas 14 anos, apresentada como garota de programa.

Tamanho e conteúdo demonstram o preconceito da mídia, enquanto que os comentários (ou a ausência deles) demonstram o preconceito da sociedade: “Onde estão aqueles "florzinhas" dos "Direitos Humanos"? Assim que o assassino for preso, eles darão as caras, p/ garantir a sua integridade física, a pronta defesa gratuita” (...), vocifera um leitor de O Globo que parece ser defensor da justiça com as próprias mãos.

Nos casos de Caruaru e de Campina Grande, fica a nítida impressão de que pela condição social das vítimas – travesti e garota de programa – a mídia enxerga a violência como fato normal ou aceitável.



Escrito por João Freire às 18h35
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CANAIS DE NOTÍCIAS PROMOVEM A BAIXARIA

 

Em 2008, a Central Globo de Jornalismo afirmou em nota que a Globo News não faz jornalismo (ver post de 27/05/08). Sim, ao afirmar que o canal de notícias põe no ar imagens antes de apurar o fato, a CGJ renega a prática jornalística.

 

Se ignorar uma regra básica de jornalismo – apurar antes de publicar – é ruim, descumprir as leis é bem pior. Estou me referindo à cobertura do massacre de Realengo, transformado em espetáculo midiático, da pior qualidade. Todas as redes de TV e os canais de notícias ignoraram o bom senso, a ética, o respeito humano e violaram a Constituição (artigo 221) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (artigos 17 e 18).

 

De entrevistas com crianças que testemunharam a execução de seus colegas a imagens de pais desesperados com a morte de seus filhos, a cobertura foi sensacionalista, superficial e repetitiva. Foi mais espetáculo grotesco de vale-tudo midiático, com direito a telejornais sendo apresentados em frente à escola onde os crimes ocorreram e a repetição exaustiva da imagem do assassino morto em uma poça de sangue.

 

Sob a bandeira do jornalismo em tempo real, os canais de notícias se igualaram aos sangrentos programas policiais – como Rota 22 (TV Diário – CE) e Bronca Pesada (TV Jornal – PE) – onde não há qualquer respeito ao ser humano. “Será que tanta manchete, tanta capa de revista, tanto horário nobre, será que tudo isso não vai encorajar outros criminosos com o mesmo perfil?”, questiona o jornalista Eugênio Bucci.

 

Os abusos ficarão impunes, mais uma vez, graças à falta de regulamentação da mídia e a omissão do Ministério Público. É urgente a mobilização social para pressionar o Congresso Nacional com o objetivo de cobrar novas leis para o setor e para que as concessões públicas de rádio e TV não sejam mais renovadas automaticamente.



Escrito por João Freire às 13h12
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Escrito por João Freire às 12h18
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DEMOLIÇÃO NÃO RESOLVERÁ O PROBLEMA DA CRACOLÂNDIA

 

Para a Prefeitura de São Paulo, o problema das drogas no centro da capital deve ser combatido, acreditem, com demolições. Depois de anos de ausência do poder público na região, que permitiu a instalação da cracolândia, a Prefeitura pretende desapropriar e demolir dezenas de imóveis da região para dar lugar a um novo bairro: a Nova Luz.

 

O Bom Dia Brasil de 14/03 exibiu uma matéria de mais de quatro minutos sobre o assunto. Apesar de dar voz ao representante dos comerciantes e moradores locais, contrários ao projeto faraônico, a matéria faz a defesa da iniciativa da Prefeitura com o argumento de que é preciso revitalizar o centro e é mais barato demolir.

 

No entanto, nem a Prefeitura e nem a matéria fazem qualquer menção ao grave problema social: centenas de dependentes químicos que vagam pelas ruas e não recebem nenhum tipo de assistência do governo. Será que a Prefeitura de SP e o Bom Dia Brasil acreditam que acabarão com esse problema demolindo prédios? O que falta e continuará faltando são ações para tratar do problema social e de saúde pública. Dessa forma, a cracolândia não vai acabar, apenas vai mudar de lugar.

 

A verdadeira motivação do projeto parece ser a especulação imobiliária. Os prédios atuais serão desapropriados por valores baixos e os novos serão vendidos a preço de mercado, atendendo apenas a população de alta renda.



Escrito por João Freire às 09h25
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TVS IGNORAM O INTERESSE PÚBLICO E VIOLAM O ECA

 

Desde o primeiro dia das enchentes da região serrana do RJ, vemos em todos os telejornais o mesmo padrão (lamentável) de cobertura: explorar a tristeza dos sobreviventes, mostrar as áreas destruídas e contabilizar os mortos. E o interesse da sociedade? Fica em segundo plano. “O jornalismo encara o telespectador como um consumidor, esquecendo que ele é um cidadão”, denuncia o pesquisador português Nelson Traquina. Por isso, a prioridade das TVs é explorar a situação (e suas vítimas) para garantir a audiência.

 

“Os moradores insistem em permanecer nas casas”. Essa é uma das frases mais repetidas pelos repórteres de TV, na cobertura das enchentes. Dá a impressão de que as pessoas tem uma opção, mas preferem correr o risco de serem soterradas.

 

Outras pérolas do não-jornalismo: “essa ajuda é muito importante para vocês?” Perguntou um repórter de TV a um pai de família que recebia água e alimentos levados de helicóptero até uma localidade isolada, seis dias após o início da tragédia. “O que você vai fazer agora?” Pergunta o repórter a uma moradora de Nova Friburgo que perdeu a casa e cinco parentes. De uma repórter, distante cerca de 50 metros de um helicóptero do Exército que acabava de pousar: "daqui de longe vou tentar descobrir o estado de saúde de mais uma vítima". Detalhe: não era uma entrada ao vivo.

 

O pior é que, mais uma vez, as crianças não foram poupadas (ver post de 13/4/2010). Vale mostrar o desespero das pequenas vítimas e fazê-las chorar, o que representa uma grave violação ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Onde está o Ministério Público?

 

O papel da mídia numa situação dessas não poderia se limitar apenas ao sensacionalismo. Importante seria orientar as pessoas sobre locais de atendimento aos desabrigados, como obter ajuda, como encontrar pessoas desaparecidas, como evitar doenças e acidentes. Ou seja, as pautas de interesse público estão ali na cara de todos. Mas, as TVs preferem fazer um espetáculo de horrores e explorar os vulneráveis.



Escrito por João Freire às 18h50
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REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA NÃO PODE MAIS SER ADIADA

Desde o início do ano, as pesquisas de intenção de voto para presidente apontavam favoritismo da candidata petista Dilma Roussef. Nesse período, a grande mídia brasileira radicalizou e passou a agir de forma (ainda mais) tendenciosa, preconceituosa e anti-democrática. Vestiu a camisa dos tucanos e não mediu esforços para tentar empurrar Serra e seus projetos neoliberais-privatistas para o poder.

Mais do que a preferência partidária, o motivo principal para essa atuação desonesta da mídia é o receio de que – se eleita – Dilma possa implementar uma regulamentação para a mídia. A atuação golpista da mídia é garantida pela falta de um marco regulatório atual para o setor. Regulamentar não é sinônimo de censura, como tentam fazer crer os controladores da mídia, que sempre tiram proveito – financeiro e político – do vácuo legal em que atuam.

Criar regras para a mídia é defender a democracia e os interesses da sociedade: uma das atribuição do Estado. Por isso, em países democráticos e desenvolvidos, a mídia atua sob rígida regulamentação. Trata-se também de garantir o direito humano à comunicação: liberdade de expressão (inclusive através da mídia) e livre acesso à informação.

O governo Lula foi omisso em relação a essa questão, cedendo às pressões dos empresários de comunicação contra as tentativas de regulamentar a mídia. A realização da I Conferência Nacional de Comunicação – apenas 12 meses antes do final do governo – impediu a implementação de políticas públicas para o setor.

Mas, ao apagar das luzes, uma boa notícia: o governo acena com a elaboração de um seminário para discutir a regulamentação da mídia com especialistas internacionais visando a elaboração de um projeto de lei sobre esse tema.

Para os controladores da mídia, regulamentação é sinônimo de perda de poder. Se submeter a regras e limites é inadmissível para esses poderosos que – para garantir seus interesses – continuarão afirmando que a intenção do governo é “limitar a liberdade de imprensa”. Apesar de tardia, a iniciativa do governo Lula é essencial e deve ser apoiada por todos que desejam que a mídia atue em benefício de toda a sociedade e não sirva apenas para enriquecer os controladores e seus aliados.



Escrito por João Freire às 19h00
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PESQUISAS NÃO CONFIRMAM DESEJO DA MÍDIA GOLPISTA

 

Pesquisa espontânea do Datafolha, realizada entre os dias 13 e 15 de setembro, apontava 31% de indecisos. Na mesma pesquisa, Dilma tinha 39%, Serra aparecia com 19% e Marina, 7%.

 

Na pesquisa seguinte, do mesmo instituto, realizada entre os dias 21 e 22 de setembro, o número de indecisos caiu em 4 pontos percentuais, ficando em 27%. Dilma manteve 39%, Serra e Marina oscilaram (dentro da margem de erro), passando a 21% e 9%, respectivamente.

 

Considerando-se a coincidência dos números – redução de indecisos e oscilação positiva – pode ser que os que definiram seus votos tenham optado por Serra e Marina, que aparecem com 2 pontos a mais, cada um, da primeira pesquisa para a segunda.

 

Com a proximidade das eleições, é normal que os eleitores definam suas preferências: o mesmo Datafolha apontava 47% de indecisos, em 12 de agosto. Quando ocorre uma queda do número de indecisos, aumentam os votos válidos, possibilitando a redução da distância entre os candidatos.

 

Os números do Datafolha do dia 27 de setembro – efusivamente comemorados pela mídia golpista – indicaram uma queda de 5 pontos da Dilma, em 12 dias, bem acima da margem de erro: 2 pontos. Curiosamente, o número de indecisos deixou de ser informado.

 

O tracking do Vox Populi aponta uma queda de 6 pontos da candidata petista no mesmo período (13 a 27 de setembro): de 54 para 49%. Ainda no mesmo período, Serra oscilou 2 pontos: de 22 para 24%, dentro da margem de erro: 2,2 pontos. Marina apresentou um crescimento expressivo: foi de 8 para 13%. O número de indecisos também não foi informado.

 

Ou seja, pode-se concluir que há uma transferência de votos de Dilma para Marina. A intensa campanha midiática contra a Dilma gerou desgaste, levando alguns eleitores a mudar suas intenções de voto. Mas, dizer que vai ter segundo turno é um exagero: reflete muito mais um desejo da mídia golpista do que um fato real.

 

Dilma não continua caindo, apontam: Vox Populi, Sensus e Ibope. No período de 24 a 28 de setembro, Dilma, Serra e Marina permanecem estáveis, com pequenas oscilações dentro da margem de erro da pesquisa (Vox Populi). O cenário mais provável é a eleição da petista, em primeiro turno.



Escrito por João Freire às 16h31
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